domingo, 11 de outubro de 2009
Porque isto me incomoda?
Já faz alguns anos que sempre que encontro algo que me pertuba, repito esta pergunta para mim: - Porque isto me incomoda?.
O pior ou melhor deste hábito é que, depois de tanto tempo exercitando esta pequeno questionamento, consegui trabalhar alguns pontos, contudo nunca atingi aquela resposta pontual que imaginava existir.
Aliás, tenho para mim atualmente que algumas respostas, realmente, não existem. Digo isto para aquelas certeiras que imaginamos poder encontrar da mesma forma que resolvemos um problema matemático. Hoje, percebo que apenas aquelas contextualizadas vão tomando forma, e isto por que as causas estão no plural da questão, e todas também interligadas, assim, como não poderia deixar de ser, as possibilidades de respostas em diferentes níveis aumentam, e todas também completamente interligadas. Aí está a complexidade do pensamento. Tudo está interligado!
O fato é que, pela busca, pelo exercício, pelo enfrentamento, estes incômodos vão passando e uma sensação de alívio vai se estabelecendo, e com isto, um tipo de experiência vai possibilitando uma visão mais geral da vida e permitindo um tipo de aprofundamento no trato destas questões. Sinto que está experiência é como mergulhar em um tanque de água cheio de barbantes aonde o grande trabalho é escolher a ponta certa para que possamos seguí-la e ir se desvencilhando das demais pontas que caracterizam a nossa superficialidade. A ponta certa significa o encontro com a nossa essência, intimidade espiritual aonde temos automatizados e contextualizados os aspectos mais profundos do EU.
Mas, a pergunta agora é: "- Se pergunto o que me incomoda, e surgem respostas, como tratá-las para alcançar esta consciência?". Qualquer um que ler este texto, com toda certeza concordará que esta resposta não é simples, e deve ser trabalhada individualmente e de acordo com o nível de tratamento que consegue dar aos seus próprios limites ou paradigmas que alimentam seus hábitos.
O cuidado que sempre tenho é de separar a identificação e consequente descrição do incômodo da ilusão que temos de pelo fato de ter conseguido dar este passo, o mesmo já representa uma resposta, ou seja, a causa. Não o é!!!!
Um pequeno comentário se faz importante neste momento. Reforço que o constante exercício desta proposta não implicará em um afunilamento, como propõe o pensamento cartesiano. Esta prática não é reducionista!!! Não estou aqui propondo um mergulho afunilado no inconsciente a procura de uma causa pontual, um tipo de mônada, que poderá ser caracterizada como a causa primária de um distúrbio, mas ao contrário, ou seja, proponho um mapeamento de todas as causas prováveis, suas interligações, o entendimento dos seus respectivos pesos dentro da nossa estutura psicológica e a partir deste entendimento o trabalho afim de que está estruture alcance um equilibrio tendo em vista os vários fatores externos, principalmente os que não dependem da nossa vontade.
Para tentar ilustrar o que tento explicar, citarei um dos vários pontos que atualmente procuro trabalhar em mim dentro desta óptica. A situação que descreverei, poderá ser identificada por alguns como simples, contudo o objetivo é demonstrar a pluralidade destes pesos ou importâncias tendo a consciência que a percepção do sofrimento está trabalhada sobre estas "heranças" que de alguma forma ditam o que nos incomoda ou não.
Algum tempo atrás, durante um estudo espiritualista, um colega afirmou-me que "EVOLUIR É CONTROLAR". Naquele momento, questionei a sua argumentação, contudo sem propriedade ou conhecimento para justificar de forma a convencer o que pensava.
Para este colega, ou melhor, para o pensamento que ele defendia com tanta veemência, a prova da evolução está na capacidade que temos que controlar tudo. Controlar máquinas, processos, pessoas e a nós mesmos.
A questão é, como sempre, a base, a linguagem. As definições que utilizava como base para os encadeamentos mais complexos da sua argumentação.
Não nego que o grande desenvolvimento que tivemos tecnologicamente nos últimos 100 anos, permitiu ao homem um entendimento bem mais aprofundado do meio a sua volta. Construiu estruturas mecânicas e de alvenaria de grandes complexidades, desenvolveu a elétrica, a eletrônica, a microeletrônica e agora a nano que tem permitido, definitivamente, uma visão cada vez mais previlegiada dos mundos micro e macro do universo no qual está inserido. Contudo, apesar de toda esta aparente evolução, todos nós temos cometido um erro que parece-me cíclico na história da humanidade, isto é: O orgulho e a falsa noção de poder que alimentamos, tem nos tirado a noção de limites e alimentado uma equivocada noção de controle. Que diga-se de passagem, controle pontual e nunca contextual. Fato que nos têm colocado em situações cada vez mais complicadas devido a forma como os vários sistemas estão reagindo ao desequilíbrio que temos provocado quando imaginamos estar controlando.
A questão é que hj estamos começando a perceber que não existe controle, mas entendimento do sistema e sua utilização em parceria, ou seja, não controlamos nada e sim aprendemos sobre o seu funcionamento para que possamos navegar neste sistema em conjunto, respeitando e retirando ou trocando com ele, o que cada um necessita para sua continuidade. Ou seja, a idéia de controle é um engodo humano.
O ponto a ser trabalhado e aproveitando para retomar a questão de forma pessoal no qual estava iniciando é que eu tenho fortemente a questão do controle. Acredito poder controlar a mim mesmo e pior, as pessoas que interagem comigo.
Quando por algum motivo, até bastante óbvio, não consigo trabalhar esta influência, o incômodo aparece. E ai está o ponto a ser questionado: "- Porque isto me incomoda?". Observe que aqui não é a identificação e nem a descrição do fato que interessa, pois ele já existe superficialmente, mas a busca por entender dentro da minha estrutura psiquica as razões deste embate. Por certo encontrarei motivos biológicos e até remanescentes de experiências que o meu consciente identifica com facilidade e que até propõe correções baseadas em algum paradigma de tratamento, contudo estas são apenas as primeiras respostas da grande rede moldada por mim e pela própria vida para que o papel que tenho a cumprir aconteça progressivamente.
Continua depois....
11/10/09.
Marcelo do Nascimento Rodrigues.
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