Após sutil ocorrido, eis que liberto-me, e permitindo ser amparado, exercito o perdão. Aqui, novamente buscando ligar-me aos bons amigos espirituais, escrevo a doce mensagem que me posicionaria recordando a postura que busco vivênciar em espírito já alguns anos.
O Grande encontro...
Nicodemos acordara diferente naquele dia.
Na sua mente pululava a lembrança da conversação travada na sinagoga com honrado confrade.
Na Intimamente do aposento buscava escapar ao ocorrido, refletir.
Comparava situações, analisava, e em determinados momentos soltava as rédeas da mente num misto amargo de lembranças e entusiasmo perante as novas posturas que buscava alcançar. Estava decidido a raciocinar amparado na mensagem de amor proposta pelo jovem Galileu.
Exausto, levantou-se da cama e pôs-se a caminhar até uma pequena janela existente do lado contrário de onde se sentara. Tocando-as com as mãos, como que procurando amparo ao corpo há muito envelhecido, debruçou-se sobre o parapeito e esticou os olhos na multidão que freneticamente apertava-se nas ruas de Jerusalém.
Mergulhado em suas buscas internas não observara a noite que chegava, e assustando-se com o por do sol, pôs-se de pé, e saindo porta afora, buscara aquelas mesmas ruas que há pouco observava ausente a tudo e a todos.
Queria escutar novamente o jovem que há poucos dias fora ao encontro, disfarçadamente, em monte próximo. Se possível, buscaria falar-lhe alguns minutos, trocar idéias, retirar algumas dúvidas que lhe atormentavam a alma, contudo, como fugir ao fato de ser ele um doutor da lei? O que pensariam se o vissem em uma consulta com o jovem que começava a incomodar o sinédrio? Pouco importava! Dizia ele a sim mesmo. Estava decidido ao encontro com Jesus.
Andando algumas quadras, avistou José, filho de seu irmão Natanel. Após chamá-lo e recebê-lo com um carinhoso abraço, explicou e solicitou que buscasse o Rabi da galiléia no monte das oliveiras e lhe pedisse uma entrevista para daqui algumas horas.
Estando tudo certo, e continuando a caminhada, Nicodemos dirigiu-se ao que chamou de “o grande encontro”. A passos lentos, buscou elevar o pensamento como fazia nas orações costumeiras e procurando antecipar refletiu sobre o tom do dialogo que teria.
Estranhou, mas admitiu a si mesmo estar nervoso como nunca.
Cheguei! Finalmente cheguei! Dizia a si próprio.
Ao longe avistou a figura simples do homem que lhe imprimia novas propostas.
Sentia o peito arder, o coração tocava-lhe forte. Suas mãos, marcadas pelo tempo, suavam. A cada passo, admirava mais e mais a figura a se detalhar em sua frente.
No reduzir da distância, via-lhe as vestes, a face tornava-se mais clara, visível. Os lábios finos, o nariz prolongado, a barba como no costume da época, os olhos amendoados e negros lhe causavam forte impressão.
O olhar de Jesus o colocara, em um segundo, em um encontro inusitado com a sua infância, sua vida passara-lhe à frente na velocidade de um relâmpago. Nicodemos estava completamente entregue à paz que emanava daquele que todos designavam de Messias.
Passado alguns segundo, Nicodemos surpreendeu-se, as lembranças foram interrompidas quando ao tocar-lhe no obro, Jesus perguntou carinhosamente: - O que queres de mim, Nicodemos? E o doutor da lei titubeando respondeu: - Procurei-te porque desejo conhecer-te melhor, entender o que dizes. Sou um homem velho, Rabi. Minha alma jovem clama pelas águas da tua sabedoria tal qual o solo de minha terra que sedenta há de esgotar toda líquido que lhe acaricie a superfície. Almejo, Mestre, a minha melhora como homem de Deus.
Procurando acalmar-te os ânimos, Jesus pacientemente o convidou para caminhar por alguns instantes.
Iniciaram a conversa com os primeiros passos. Nicodemos não conseguia disfarçar o fascínio. As propostas de Jesus iam de encontro às suas perquirições mais íntimas.
Caminhando para o final do encontro, Jesus convida-o a refletirem juntos uma pequena história:
- Há poucos dias encontrava-me próximo às portas desta cidade, Jerusalém. E grande quantidade de amigos e pessoas esperavam-me carinhosamente. Notei quantos se amontoavam para que pudessem me ver ou tocar minhas vestes. Confesso-lhe que pedi ao Pai por todos que ali estavam.
- Pouco antes de entrar às portas, escutei com carinho alguém que à beira do caminho, chamando-me pelo nome daqueles que vieram antes de mim, solicitava-me auxilio. Tendo o merecimento alcançado-lhe a alma, e entendendo que em nome do Pai eu deveria atender-lhe a súplica, solicitei a Pedro que o buscasse. Feito, aproximei e perguntei com carinho: - o que queres que eu te faça? E ele rapidamente respondeu-me demonstrando a maturidade alcançada pelas provas que enfrentava: - Desejo ver, meu Senhor! E cumprindo a lei, disse a ele: - Então, veja!
Assim são todos, Nicodemos, quando pela lei alcançam o estado de galgar o “próximo degrau”. A própria busca sintoniza o ser com a lei que o colocará de encontro ao aprendizado necessário. E digo-lhe mais! O transitar entre estes graus poderá ser feito de imensuráveis formas, no entanto, três etapas resumem o processo: O estágio atual, a transição e o próximo estágio. As vezes, meu irmão, a transição é a beira do caminho que muitos encontram-se. Amarrados nas dúvidas do “libertar-se do estágio atual” para o grande é necessário inicio no “próximo estágio”, enfrentam os grandes vilões da alma nos primeiros estágios da decisão: o orgulho e o egoísmo. Para aqueles que desejam, por livre conscientização, “dar o passo necessário” a providência age naturalmente auxiliando de várias formas, contudo, quando a acomodação inunda o ser, a lei de progresso, sendo também uma ferramenta da providência, age ressecando-lhe todas as fontes no qual nutre as ilusões do ego que luta desesperadamente para manter-se, gerando assim grandes incômodos emocionais e físicos.
A resposta para tua busca de hoje, Nicodemos. Já está nos preceitos que carrega dentro de ti: “Amai ao próximo como a ti mesmo e fazei a ele o que gostaria que fizessem a ti próprio”. No sinédrio, a expiação chamou-lhe ao testemunho de sua fé e digo-lhe que somente pelo amor podereis acumular forças para perceber tais chamamentos e aproveitá-los plenamente.
Nicodemos, admirado pela beleza singela e profunda daqueles ensinamentos, faz a pergunta derradeira ao Mestre: - Mas Rabi, como pode um homem velho compreender tanta sabedoria?
O que Jesus respondeu: - Se faz necessário nascer novamente!
E admirado, indaga Nicodemos novamente: - E como posso voltar ao ventre de minha mãe, Mestre!!!
E compreendendo o estágio no qual encontrava-se Nicodemos, e decidido a respeitar o Livre – arbítrio proporcional à capacidade que cada individualidade conquista pela sua evolução, Jesus encerra a conversa afirmando: - Mas Nicodemos, se tu que é doutor da Lei não entende o que lhe digo, o que dizer além? Procuremos a paz no esforço intimo da prática do bem segundo o nosso entendimento aproveitando todo ensejo e lembrando que o plantio é facultativo mas a colheita obrigatória.
E assim, encerrado o “grande encontro”, Nicodemos abraçou em seu coração a semente que após alguns séculos de experiência lhe proporcionaria novamente a convivência com os amigos que compartilhavam junto com ele a singular oportunidade da presença física de Jesus na Terra.
Marcelo Rodrigues – 05/08/07 – Curitiba - PR
Nicodemos acordara diferente naquele dia.
Na sua mente pululava a lembrança da conversação travada na sinagoga com honrado confrade.
Na Intimamente do aposento buscava escapar ao ocorrido, refletir.
Comparava situações, analisava, e em determinados momentos soltava as rédeas da mente num misto amargo de lembranças e entusiasmo perante as novas posturas que buscava alcançar. Estava decidido a raciocinar amparado na mensagem de amor proposta pelo jovem Galileu.
Exausto, levantou-se da cama e pôs-se a caminhar até uma pequena janela existente do lado contrário de onde se sentara. Tocando-as com as mãos, como que procurando amparo ao corpo há muito envelhecido, debruçou-se sobre o parapeito e esticou os olhos na multidão que freneticamente apertava-se nas ruas de Jerusalém.
Mergulhado em suas buscas internas não observara a noite que chegava, e assustando-se com o por do sol, pôs-se de pé, e saindo porta afora, buscara aquelas mesmas ruas que há pouco observava ausente a tudo e a todos.
Queria escutar novamente o jovem que há poucos dias fora ao encontro, disfarçadamente, em monte próximo. Se possível, buscaria falar-lhe alguns minutos, trocar idéias, retirar algumas dúvidas que lhe atormentavam a alma, contudo, como fugir ao fato de ser ele um doutor da lei? O que pensariam se o vissem em uma consulta com o jovem que começava a incomodar o sinédrio? Pouco importava! Dizia ele a sim mesmo. Estava decidido ao encontro com Jesus.
Andando algumas quadras, avistou José, filho de seu irmão Natanel. Após chamá-lo e recebê-lo com um carinhoso abraço, explicou e solicitou que buscasse o Rabi da galiléia no monte das oliveiras e lhe pedisse uma entrevista para daqui algumas horas.
Estando tudo certo, e continuando a caminhada, Nicodemos dirigiu-se ao que chamou de “o grande encontro”. A passos lentos, buscou elevar o pensamento como fazia nas orações costumeiras e procurando antecipar refletiu sobre o tom do dialogo que teria.
Estranhou, mas admitiu a si mesmo estar nervoso como nunca.
Cheguei! Finalmente cheguei! Dizia a si próprio.
Ao longe avistou a figura simples do homem que lhe imprimia novas propostas.
Sentia o peito arder, o coração tocava-lhe forte. Suas mãos, marcadas pelo tempo, suavam. A cada passo, admirava mais e mais a figura a se detalhar em sua frente.
No reduzir da distância, via-lhe as vestes, a face tornava-se mais clara, visível. Os lábios finos, o nariz prolongado, a barba como no costume da época, os olhos amendoados e negros lhe causavam forte impressão.
O olhar de Jesus o colocara, em um segundo, em um encontro inusitado com a sua infância, sua vida passara-lhe à frente na velocidade de um relâmpago. Nicodemos estava completamente entregue à paz que emanava daquele que todos designavam de Messias.
Passado alguns segundo, Nicodemos surpreendeu-se, as lembranças foram interrompidas quando ao tocar-lhe no obro, Jesus perguntou carinhosamente: - O que queres de mim, Nicodemos? E o doutor da lei titubeando respondeu: - Procurei-te porque desejo conhecer-te melhor, entender o que dizes. Sou um homem velho, Rabi. Minha alma jovem clama pelas águas da tua sabedoria tal qual o solo de minha terra que sedenta há de esgotar toda líquido que lhe acaricie a superfície. Almejo, Mestre, a minha melhora como homem de Deus.
Procurando acalmar-te os ânimos, Jesus pacientemente o convidou para caminhar por alguns instantes.
Iniciaram a conversa com os primeiros passos. Nicodemos não conseguia disfarçar o fascínio. As propostas de Jesus iam de encontro às suas perquirições mais íntimas.
Caminhando para o final do encontro, Jesus convida-o a refletirem juntos uma pequena história:
- Há poucos dias encontrava-me próximo às portas desta cidade, Jerusalém. E grande quantidade de amigos e pessoas esperavam-me carinhosamente. Notei quantos se amontoavam para que pudessem me ver ou tocar minhas vestes. Confesso-lhe que pedi ao Pai por todos que ali estavam.
- Pouco antes de entrar às portas, escutei com carinho alguém que à beira do caminho, chamando-me pelo nome daqueles que vieram antes de mim, solicitava-me auxilio. Tendo o merecimento alcançado-lhe a alma, e entendendo que em nome do Pai eu deveria atender-lhe a súplica, solicitei a Pedro que o buscasse. Feito, aproximei e perguntei com carinho: - o que queres que eu te faça? E ele rapidamente respondeu-me demonstrando a maturidade alcançada pelas provas que enfrentava: - Desejo ver, meu Senhor! E cumprindo a lei, disse a ele: - Então, veja!
Assim são todos, Nicodemos, quando pela lei alcançam o estado de galgar o “próximo degrau”. A própria busca sintoniza o ser com a lei que o colocará de encontro ao aprendizado necessário. E digo-lhe mais! O transitar entre estes graus poderá ser feito de imensuráveis formas, no entanto, três etapas resumem o processo: O estágio atual, a transição e o próximo estágio. As vezes, meu irmão, a transição é a beira do caminho que muitos encontram-se. Amarrados nas dúvidas do “libertar-se do estágio atual” para o grande é necessário inicio no “próximo estágio”, enfrentam os grandes vilões da alma nos primeiros estágios da decisão: o orgulho e o egoísmo. Para aqueles que desejam, por livre conscientização, “dar o passo necessário” a providência age naturalmente auxiliando de várias formas, contudo, quando a acomodação inunda o ser, a lei de progresso, sendo também uma ferramenta da providência, age ressecando-lhe todas as fontes no qual nutre as ilusões do ego que luta desesperadamente para manter-se, gerando assim grandes incômodos emocionais e físicos.
A resposta para tua busca de hoje, Nicodemos. Já está nos preceitos que carrega dentro de ti: “Amai ao próximo como a ti mesmo e fazei a ele o que gostaria que fizessem a ti próprio”. No sinédrio, a expiação chamou-lhe ao testemunho de sua fé e digo-lhe que somente pelo amor podereis acumular forças para perceber tais chamamentos e aproveitá-los plenamente.
Nicodemos, admirado pela beleza singela e profunda daqueles ensinamentos, faz a pergunta derradeira ao Mestre: - Mas Rabi, como pode um homem velho compreender tanta sabedoria?
O que Jesus respondeu: - Se faz necessário nascer novamente!
E admirado, indaga Nicodemos novamente: - E como posso voltar ao ventre de minha mãe, Mestre!!!
E compreendendo o estágio no qual encontrava-se Nicodemos, e decidido a respeitar o Livre – arbítrio proporcional à capacidade que cada individualidade conquista pela sua evolução, Jesus encerra a conversa afirmando: - Mas Nicodemos, se tu que é doutor da Lei não entende o que lhe digo, o que dizer além? Procuremos a paz no esforço intimo da prática do bem segundo o nosso entendimento aproveitando todo ensejo e lembrando que o plantio é facultativo mas a colheita obrigatória.
E assim, encerrado o “grande encontro”, Nicodemos abraçou em seu coração a semente que após alguns séculos de experiência lhe proporcionaria novamente a convivência com os amigos que compartilhavam junto com ele a singular oportunidade da presença física de Jesus na Terra.
Marcelo Rodrigues – 05/08/07 – Curitiba - PR


