Escutei: "E o que sou eu? Ninguém se encontra por acaso!"O que é viver só? Podemos, realmente, viver só?
Durante a vida, as várias experiências nas quais somos projetados por consequência das opções de curto, médio e longo prazo, raramente nos privam das mais variadas transformações no campo das emoções, desfiladeiro ainda pouco conhecido por todos nós.
Vez ou outra, motivados pela dor causada pelas decepções, desencontros, perdas ou mesmo pela ansiedade que mina plantando n'alma a semente do desequilibrio mental, o homem procura na ausência dos demais diluir os efeitos da culpa, do remorço ou mesmo da angústia que lhe dilacera o peito, mergulhando em um processo de recontrução da psiquê que somente terá fim após o término dos tempos internos relativos a cada um durante os mais variados estágios da sua evolução, voltando à vida social somente quando impulsionado pelos novos projetos que o motivarão à reorganizar a convivência com os novos grupos pela simples necessidade do aprendizado que permitirá aos novos objetivos a chance de serem concretizados.
Outra forma muito comum de alguns demonstrarem o estado de solidão tem haver com a busca pela espiritualidade. Motivados pelo euforismo da busca espiritual, e sustentados na filosofia que crêem possibilita-los no alcance do estado de "Nirvana", condição que independente do nome que se dê é o objetivo da busca. Afastam-se da convivivência dos demais grupos por acreditarem, não estar em sintonia com a conduta que acreditam ser a ideal para o processo que se encontram. Modificam a forma da vestimenta, da alimentação, do falar, do agir e reagir, e devido ao sentimento de curto prazo, e principalmente por não identificarem nos demais a conduta equivalente, resolvem por "sacrificio à causa", ou quem sabe pela incapacidade de conviver com a diferença de opinião, à exclusão, ou seja, durante o tempo de maturação deste novo desafio resolvem por um tipo de comportamento "eremita".
Uma das experiências mais comuns que tenho observado durante a vida, e que já tive a amarga oportunidade de vivenciar, tem suas raízes na lei de causa e efeito. Ao contrário dos dois primeiros casos descritos, a situação de agora nos subjulga, ou seja, sofremos ele por que de alguma forma optamos por permitir que suas causas se instalem.
A solidão agora é fruto amargo das opções despreendidas contra aqueles que compartilham do nosso dia-a-dia.
Na falta de sensibilidade para com as necessidades dos outros, pela imposição daquilo que nos é importante sem relevar o que importante é para os demais, gera a desastrosa reação do afastamento pela antipatia, pela incapacidade que todos terão de conviver harmoniosamente conosco. Tal ação, incialmente, quase não nos é percebida, e isto pela grave acomodação do orgulho em nosso psiquismo. Como que em um tipo de fascinação por nós mesmos, somos impelidos a reagir contra toda e qualquer tentativa de argumentação aos nossos desejos. Tornamo-nos escravos do grande "Pai maldito da alma", o egoísmo.
A saída deste processo, poderá ter dois caminhos:
a - O primeiro poderá remeter a pessoa, após sua conscientização, a primeira situação descrita. Fato que ocasionará uma melhora após o alcance do reequilibrio psiquico e químico.
b - O segundo cairá na situação sequente e deste poderemos ter duas possibilidades:
b.1 - O mascaramento do orgulho em uma nova situação ou;
b.2 - A reconstrução dos hábitos e a redução dos efeitos descritos na primeira situação pela desfocalização que o envolvimento em situações como estas geram, fazendo que a reflexão aconteca em doses homeopáticas.
A grande conclusão que podemos tirar deste texto é que independente da situação humana que estejamos passando, antes ou depois dos momentos que exigirão o nosso recolhimento para as reflexões necessárias ao recomeço, temos a necessidade da convivência com os nossos semelhantes. Somos seres sociais, como afirma a antropologia e a sociologia. Necessitamos uns dos outros. Se por algum motivo não acreditamos nestas máximas, é porque de alguma forma relutamos com o entendimento que a vida, por todos os lados, nos demonstra.
Do mais ínfimo ao mais complexo ser da natureza, tudo se liga, todos necessitam multuamente uns dos outros.
No dia que abrirmos os olhos d'alma para os ensinamentos da grande mãe Terra que nos acolhe doando tudo e exigindo muito pouco, entenderemos o quão inspirado estava Francisco de Assis quando afirmou: "Aquecei-me, irmão Sol! Iluminai-me, Irmã Lua! Afaga-me, irmão vento!"ou ainda: "Senhor, fazei que eu procure consolar mais do que ser consolado, amar do que ser amado...", talvez ai, nestas simples e profudas palavras encontra-se o grande segredo do universo que nos unirá a todos, algo que tentamos e definimos como O AMOR.
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